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el 26 de Abr de 2012 a las 17:30 |
Autor: João Bekman Alves I - Decadência do Ciclo do Ouro em Minas
No final do século XVIII a mineração entrou em decadência nas Minas Gerais, gerando enorme crise social com a ruína econômica e desestabilização das instituições públicas. Grande parte da população ligada à mineração procurou alternativas de subsistência nas atividades agropecuárias, buscando para isto, terras propícias, como as paulistas, no Sertão do Rio Pardo, este fato liga-se diretamente à criação da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca em 1805, visto que o pedido de criação da freguesia foi efetuado pelos entrantes mineiros. Já a degradação dos poderes judiciários propiciou o aparecimento da justiça privada exercida pelos capitães, cujo exemplo mais conspícuo no Sul de Minas foi o de Januário Garcia, o “Sete-Orelhas”.
Os Garcia Leal, como grande parte das famílias mineiras são originários do Arquipélago dos Açores, “essa gente ordeira, laboriosa, prolífera, antes ilhada nos Açores, não encontraria limites para sua expansão em terras brasileiras. Unindo seu nome ao dos paulistas que povoaram as Minas Gerais, transformaram-se em novos bandeirantes” . Deve-se aos açorianos, tradições como: as festas do divino, as folias de reis, trouxeram também as rodas de fiar, os teares, o carro de boi e ainda os doces caseiros . A Família Garcia Leal distribuiu-se por quase todo Sudeste do Brasil, principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.
II – Ilha do Faial – Arquipélago dos Açores Na ilha do Faial nasceu em 1679, João Garcia Pinheiro, que se casou com Maria Vargas Leal; este casal teve vários filhos que os acompanharam na sua migração para o Brasil, sendo que o filho caçula Pedro Garcia Leal nascido por volta de 1722 casou-se em Mogy-Guaçu bispado de São Paulo com Josepha Cordeyro Borba do clã dos Borba Gato. Os descendentes desses consortes constituem o ramo Garcia Leal.
Pedro Garcia Leal estabeleceu com esposa e filhos menores nas indecisas divisas de Minas e São Paulo no antigo caminho da Estrada dos Goiazes, onde dava assistência como negociante às expedições de conquista, havendo registros de assentos religiosos com seu nome contemporaneamente ao de Pedro Franco Quaresma e Bartolomeu Bueno do Prado, sertanistas paulistas desbravadores do Sertão do Jacuy. Nesse itinerário nasceram mais alguns de seus filhos - em Santa Cruz de Goiazes foi batizado em 1759 seu filho João Garcia Leal. Pedro Garcia Leal foi proprietário da Fazenda Talhados às margens do Rio Grande, aí provavelmente nasceu o filho Januário Garcia Leal por volta de 1761 (os registros da freguesia de Jacuy só começam a partir de 1764).Pedro Garcia Leal foi casado em segundas núpcias com Maria dos Anjos não sendo conhecida descendência dessa união, faleceu em 1780 no arraial do Jacuy. Os irmãos João Garcia Leal e Januário Garcia Leal se estabeleceram como fazendeiros em Lavras do Funil no Sul de Minas. O alferes João Garcia Leal contraiu matrimônio em 1783 com Maria Joaquina do Espírito Santo filha de Nicolau Martins Saldanha e Inácia Maria de Barros, pessoas influentes na região, tiveram os filhos Eufrásia (falecida em Franca em 1820), José Garcia Leal, Januário Garcia Leal(sobrinho), João Pedro Garcia Leal e Joaquim Garcia Leal. Januário Garcia Leal (tio) foi casado com Mariana Lourença de Oliveira, recebeu patente de capitão de ordenanças do distrito de São José e Nossa Senhora das Dores (atual Varginha) em 1802.
III – A Vingança de Januário Garcia
Data de pouco depois desta nomeação o cruel assassinato de seu irmão João Garcia Leal, ocasionado por desentendimentos sobre divisas de fazendas, o qual foi despelado na figueira do Tira Couro próximo à igreja de São Bento Abade, distrito de Lavras. Januário Garcia Leal prometeu vingança diante do corpo desfigurado do irmão, mas antes, procurou os representantes da lei na Comarca do Rio das Mortes, em São João D’el Rey, a qual, a freguesia de Lavras era subordinada. As autoridades alegaram falta de recursos e meios para aplicar a lei e deixaram em suas mãos o destino dos criminosos. Januário partiu no encalço dos homicidas e não descansou enquanto não completou um rosário de sete orelhas, o qual foi apresentado publicamente pendurado ao pescoço nas vilas e povoados por onde andou, segundo representações existentes nos arquivos em Portugal. Januário Garcia Leal teve o auxilio de seu irmão Salvador Garcia Leal e seu primo Matheus Luis Garcia nessas empreitadas; segundo Marcos Paulo de Souza Miranda, vigia em grande parte de Minas Gerais, uma jurisdição privada, exercida ao arrepio da lei e a revelia das autoridades portuguesas, abrangendo a região de São João D’el Rey, Campanha e Itapecerica, nela, os Garcia aplicaram a justiça pelas próprias mãos. Segundo alguns autores os feitos de Januário Garcia Leal superam os cometidos por Lampião mais de um século depois.
O conselho Ultramarino expediu aos governadores das Capitanias de São Paulo e Minas ordens de prisão contra os Garcia, sendo que Salvador Garcia Leal chegou a ser preso, mas em seguida foi libertado. Depois disso Januário viveu algum tempo na sua propriedade na freguesia de Jacuy, Fazenda Ventania (Alpinópolis), que foi vendida em 1806 por sua esposa, a seu pedido, para saldar dívidas feitas com parentes no decorrer das perseguições que fez aos assassinos.
Pesquisas históricas recentes descobriram o inventário de Januário Garcia Leal no Museu do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Este documento esclarece que Januário vivia como negociante de tropas e faleceu no local denominado Lava Tudo em Lages SC em 16/05/1808, quando em companhia de um escravo tentava cercar um cavalo bravo. Anexos ao inventário: a carta patente de seu posto de capitão e procurações de sua mulher Mariana Lourença de Oliveira para o filho Higino Garcia Leal, e o sobrinho João Pedro Garcia além do exame do corpo de delito que diz: ‘indo sercar hum cavallo que se axaiva a pular hua porteira de varas, o cavallo avançou a dita porteira e encontrou o Capitam hua das varas da porteira e dando-lhe pela orelha direita imediatamente o matou com a pancada’.
IV – Os Descendentes de João Garcia Leal em Franca
A viúva de João Garcia Leal, Maria Joaquina do Espírito Santo morava na freguesia de Jacuy em 1805, onde ela e seu filho João Pedro Garcia Leal foram padrinhos de uma criança chamada Maria; nos últimos anos morou em Franca onde faleceu em 03/09/1812. Os filhos de João Garcia Leal residiram em Franca. No livro de casamentos da matriz localconstam os casamentos de José Garcia Leal com Anna Angélica de Freitas em 30/10/1809; Salvador Garcia Leal com Maria Prudência da Paixão em 14/02/1820 e Januário Garcia Leal viúvo de Claudina Maria de Jesus com sua cunhada Ludovina em 29/08/1822. Nos maços de população de Mogi Mirim e Francaconstam os nomes de José Garcia Leal, João Pedro Garcia Leal e Salvador Garcia Leal. Também na lista elaborada pelo vigário Joaquim Martins Rodrigues para o Governador da Capitania de São Paulo João Carlos Augusto Oeynhausen em 1819 aparecem os ditos nomes. Cumpre notar que Salvador Garcia Leal era filho natural de Leonor Theodora de Jesus, não se conhecendo seu parentesco com a família Garcia Leal, faleceu em 1832 em Franca onde foi inventariado. Quanto ao outro irmão Joaquim Garcia Leal, este, fixou residência no arraial da Cana Verde (Batatais). Nos livros de batizados da Matriz de Franca existe vários assentos de filhos dos irmãos Garcia Leal, inclusive um de nome diferente Galdino Martins Saldanha (homenagem à seu bisavô materno) nascido em 1821 filho do capitão José Garcia Leal e Ana Angélica de Freitas.
V – A Entrada para o Sertão do Mato Grosso
Homem de ânimo decidido, empreendedor e inteligente, José Garcia Leal exercia enorme influência sobre a família; em 1820 vendeu a Fazenda São Joaquim e na companhia de seus irmãos; familiares; integrantes das famílias Barbosa e Lopes; agregados e escravos empreenderam a célebre entrada de 1828 em direção ao Sertão do Mato Grosso. A medida que avançavam no sertão fundavam posses: José Garcia Leal se fixou nas fazendas Barra e Córrego Fundo, Januário na Fazenda Barreiro e Joaquim no Ariranha, pelos fins de 1831 foi iniciada a povoação de Santana do Paranaíba onde foi levantada a primeira igreja sob a invocação de Nossa Senhora de Santana, cuja imagem foi ofertada por Dona Ana Angélica de Freitas. Os francanos no final do século XIX ocupavam todo o vácuo sul matogrossense, que tomou o nome de Sertão dos Garcia, e abrangia as bacias dos rios Barreiros, Santana, Quitéria, Sucuriú, Verde e Pardo afluentes da margem direita do Rio Paraná.
O capitão José Garcia Leal foi nomeado diretor da povoação de Santana do Paranaíba em 1836, sendo que o comando político da região esteve sob seu poder até sua morte em1862, passando para seu filho Manuel Garcia da Silveira que governou até 1891, segundo Hildebrando Campestrini na sua obra Santana do Paranaíba, enquanto esteve sob a liderança do capitão e seu filho Paranaíba desenvolveu-se em ordem. Há notícias que Joaquim Garcia Leal retornou para as terras paulistas fixando-se em Batatais donde havia partido. VI – Retorno de parte dos Garcia Leal para Franca
Para Franca retornou o filho do capitão José Garcia Leal, Galdino Martins Saldanha, que aí, contraiu núpcias com sua parente Ana Silvéria de Freitas em 03/07/1856. Galdino fixou residência na Fazenda Grupiara nas margens do Rio Canoas, próximo ao Garimpo das Canoas (Claraval), sendo mais tarde conhecido com Galdino Garcia Borges, faleceu em 04/01/1874. A descendência de Galdino Garcia Borges já atingiu mais de 600 pessoas grande parte ainda vivas e residentes em Franca. Foram seus filhos: João Garcia Borges (*1860+1937), morou na Furna dos Garcia deixou 10 filhos; José Garcia Borges (*1859+1944), morou no Garimpo das Canoas depois em Franca deixou 12 filhos; Francisco Garcia Borges(*1866+1911) morou na Chácara Ponte Preta em Franca, deixou 6 filhos ( 2 filhas migraram para Goiás); Simpliciano Garcia Borges(*1869+1929), deixou 8 filhas e Ana Silvéria de Freitas (Ana Galdina) que nasceu em 1866, morou em Franca e teve apenas uma filha.
Segundo José Teixeira de MeirellesJanuário Garcia Leal dedicou a vida defendendo a mais nobre das instituições humanas, a família. Ainda hoje, depois de mais de 200 anos dos fatídicos acontecimentos os membros da família Garcia Leal relembram suas façanhas, olvidadas pela história, principalmente nas noites de serões das antigas fazendas. Guimarães, José . As Tres, Ilhoas, v.I, p.114-115 Garcia, Denise Cássia. Os Garcia Frade, p. 07. Miranda, Marcos Paulo de Souza, Jurisdição dos Capitães, p.49 Miranda. Op.cit.,p.36. Miranda, Op. Cit.autor do livro Jurisdição dos Capitães, A história de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, e seu bando, a publicação melhor documentada sobre a vida de Januário Garcia Leal. Lopes, José Iglair. História de Alpinópolis. Belo Horizonte, 2002. Miranda, Op. Cit. p. 46. Archivo Parochial-Franca 1806/1824. lista da 1ª Cia de Franca 1815-APESP. Apud Miranda, Marcos Paulo de Souza, Jurisdição dos Capitães, p.40 Entre eles Joaquim Francisco Lopes, irmão do Guia Lopes da Laguna, que deixou uma descrição da expedição publicada no Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de São Paulo, vol.III, 1943 Nessa obra o capítulo IV é dedicado ao capitão José Garcia Leal Meirelles, José Teixeira, A vida de Januário Garcia , o Sete Orelhas, |
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el 26 de Abr de 2012 a las 17:27 | Autor: João Bekman Alves* I- Origens O arquipélago dos Açores, formado por ilhas vulcânicas da cadeia meso atlântica, situadas a 760 milhas a oeste de Lisboa, foi descoberto em 1427 por Diogo de Silves, da casa do infante Dom Henrique. Constitui-se de nove ilhas: Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Corvo, Flores e Faial. Inicialmente desabitado, seu povoamento começou por volta de 1439 quando Gonçalo Velho Cabral para lá levou famílias alentejanas e algarvias e mais tarde, por influência da infanta D. Isabel, condessa de Flandres e duquesa de Borgonha, recebeu famílias flamengas. As ilhas estiveram, inicialmente, na dependência do Grão Mestre da Ordem de Cristo, sendo o sistema de colonização adotado o de capitânias hereditárias, com distribuição de sesmarias aos colonos. Esse sistema foi posteriormente transplantado para o Brasil por D. João III. O arquipélago passou ao domínio do Estado português com D. Manuel I. Os Borges e os Gouveia são originários da Ilha de São Miguel. Manuel Borges de Souza, filho de Manuel Vieira Borges e de sua mulher Maria Pacheco do Nascimento, nascido no lugar da Achadinha e batizado na freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Ilha de São Miguel, casou-se na antiga Vila Rica com Rosa Maria de Gouveia batizada na freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Guarapiranga, hoje Piranga-MG, filha do açoriano Manuel Tavares de Gouveia e de Catharina Miranda de Oliveira. Foram moradores nas fraldas do morro do Padre Faria, hoje bairro da cidade de Ouro Preto-MG. Geraram oito filhos: Joaquina, Ana, Manuel, Maria Madalena, Antônio, João, Rosa e Floriana.
Com a decadência da mineração do ouro em Minas Gerais, no final do século XVIII, a família empreendeu a migração. Inicialmente para a freguesia da Senhora da Boa Viagem do Curral del-Rei, atual Belo Horizonte-MG, onde alguns dos filhos se casaram e o patriarca faleceu. Posteriormente seguiu para a região de Franca, onde ocupou o vale do Rio Canoas em ambas as margens, formando, entre outras, as seguintes fazendas: Fazenda das Canoas, Fazenda Ribeirão das Canoas, Fazenda Ribeirão da Onça, Fazenda dos Nunes, Fazenda dos Agudos, Fazenda da Bocaina, todas na Freguesia da Franca, pois nessa época a divisa das Capitanias de Minas Gerais e São Paulo passava pela Serra do Itambé.
A lista do então vigário da freguesia da Franca, Pe. Joaquim Martins Rodrigues, elaborada no ano de 1819, relaciona como moradores no bairro rural do Pouso Alegre, vários integrantes das famílias Borges de Gouveia e Freitas da Silveira, unidas por relações matrimoniais iniciadas provavelmente em Vila Rica e continuadas em Curral del-Rei e na Freguesia da Franca.
II – Descendentes O inventário nº 04, caixa 190, do Cartório do 1º Ofício, ano de 1827, conservado no Arquivo Histórico Municipal Capitão Hipólito Antônio Pinheiro, trata dos bens deixados por Manuel Borges de Souza e por sua mulher Rosa Maria de Gouveia, ele falecido na Fazenda Ribeirão do Ouro, termo do Curral del-Rey, pelo ano de 1795; ela falecida na Vila Franca a 24/02/1826. No título de herdeiros constam os filhos: 1. Rosa Vitória de Gouveia, falecida. Foi casada com Manuel Nunes da Silva, com quem formou a Fazenda dos Nunes, atual Furna dos Garcias. Entre seus filhos, destaca-se o tenente Albino Nunes da Silva, casado na família Alves Ferreira, que também foi vereador da Câmara de Franca.
2. Ana Rosa de Gouveia viúva de João Mendes de Queiroz. Alguns de seus descendentes se casaram com descendentes de Fabiano Alves da Silveira e Anastácia Maria de Freitas (família Freitas Silveira) estabelecidos no Carmo da Franca, atual Ituverava-SP, da qual Fabiano é considerado um dos fundadores.
3. Manuel Borges de Gouveia casado com Jacinta Teixeira de Menezes. Não deixou descendência de seu casamento, apenas uma filha natural, gerada quando solteiro, de nome Cecília da Silva Oliveira;
4. João Borges de Gouveia, que não veio para Franca, já falecido na época do inventário. Apresentou-se como herdeiro seu filho Manuel Borges de Gouveia Moço.
5. Antônio Borges de Gouveia, falecido na época da abertura do inventário, representado por sua viúva Maria Joaquina de Freitas. Esse casal, com cinco de seus filhos e sete escravos, aparece como novos entrantes na lista dos habitantes da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca de 1807/1808. No inventário de Antônio (nº44 - caixa 3 - 2º Ofício - ano 1828), realizado na Fazenda Ribeirão das Canoas, estão relacionados como herdeiros os filhos:
5.1. Anna Angélica de Freitas casada com o capitão José Garcia Leal. Acompanhou seu marido após a entrada de 1828 para o sertão do Mato Grosso e se estabeleceram com sua descendência em Santana do Paranaíba;
5.2. Antônio Borges de Gouveia Moço casado com Rosa Maria de Jesus; 5.3. Maria Felizarda de Freitas casada com Manuel Rodrigues da Costa; 5.4. Balbina Joaquina de Freitas casada com José Machado Diniz; 5.5. Pedro Borges de Gouveia casado, em primeiras núpcias, com Ana Rosa de Jesus, e em segundas, com Maria Antônia da Silva; 5.6. Iria Joaquina de Freitas, casada com seu primo Antônio Silvério de Freitas, deixou vasta descendência dando origem à família Silvério de Freitas. Antônio Silvério de Freitas foi vereador da Câmara de Franca. 5.7. Cândido Borges de Gouveia casado com Ana Silvéria de Freitas. Teve seu inventario realizado na Fazenda Ribeirão da Onça no ano de 1860, onde constam como herdeiros, os filhos: 5.7.1. Ana Silvéria de Freitas casada com Galdino Martins Saldanha. Galdino era filho do capitão José Garcia Leal e retornou do sertão do Mato Grosso para casar com sua prima, estabeleceram-se na Fazenda Grupiara na margem já mineira do Rio Canoas; 5.7.2. Antônio Borges de Gouveia, morador nos Agudos; 5.7.3. Christino Borges de Gouveia casado com Jesuína Maria de Jesus; 5.7.4. Maria Cândida de Freitas, solteira, 24 anos; 5.7.5. Flávio Borges de Gouveia, 32 anos, mentecapto; 5.7.6. Cândido Borges de Freitas, solteiro, 18 anos. 5.7.7. José Agostinho de Freitas casado com Maria Luísa Rodrigues Moreira, filha de Marcelino Rodrigues Moreira, neta do capitão Antônio Rodrigues de Oliveira. Foi vereador da Câmara de Franca, assim como seu sogro. Dessa união nasceram: 1- Ana Silvéria de Freitas casada com Cândido Borges de Freitas; 2- José Cândido de Freitas casado com Francisca Carolina de Freitas; 3- Maria José de Freitas (Mariquinha) casada com Justino Alves Taveira; 4- Urias Borges de Freitas casado em primeiras núpcias com Maria das Dores de Jesus, em segundas com Maria Theodora de Freitas, e, em terceiras com Claricinda América do Nascimento; 4- Germano Borges de Freitas casado com Victória Claudina da Rocha; 5- Christina Maria de Freitas casada com João Garcia Borges; 6- Candido Borges de Freitas casado com Senhorinha Alves França; 7- Maria Luiza de Freitas casada com Manoel Alves Peixoto; 8- Marcolina Maria de Freitas casada com José de Paula Coelho; 9- Francisco Borges de Freitas casado com Serafina Alves de Freitas, e, em segundas núpcias, com Júlia Barbosa de Freitas; 9- Maria Cândida de Freitas (Urica) casada com Antônio Borges de Freitas (Tonico); 10- Iria Maria de Freitas casada com José Antônio do Nascimento. José Agostinho casou-se em segundas núpcias com Maria Joaquina de Paiva, viúva de José Borges de Freitas, com quem teve as filhas: 11- Deolinda Maria de Freitas casada com Pio Severiano da Silva e 12- Maria Thereza de Freitas casada com João Batista Cintra.
5.8. Ignácio Borges de Freitas casado com Ambrozina Maria de Jesus, filha do tenente João Felizardo Cintra, teve os seguintes filhos: José Borges de Freitas casado com Maria Joaquina de Paiva; Maria Ignácia de Freitas casada com Antônio Silvério de Freitas Jr. (foto1); Ana Ambrozina de Freitas casada com José Rodrigues da Costa; Antônio Borges de Gouveia casado com Maria Christina de Freitas; João Borges de Freitas casado com Maria Rita de Paiva; Maria Joaquina de Freitas casada com Joaquim Rodrigues da Costa; Francisco Borges de Freitas casado com Maria Alves de Jesus, e, em segundas núpcias, com Umbelina Maria de Jesus; Joaquim Borges de Freitas casado com Maria Alves de Paiva; Venceslau Borges de Freitas (Lau) casado com Vitalina Alves de Paiva; Vicente Borges de Freitas; Manuel Borges de Freitas (Néca) casado com Maria dos Anjos de Jesus; Maria Afra de Freitas (Mucinha) casada com Manuel Rodrigues da Costa. Ignácio também exerceu o mandato de vereador da Câmara de Franca. Os descendentes de Manuel Borges de Souza e de Rosa Maria de Gouveia, que permaneceram no Vale do Rio Canoas, além de ligações consangüíneas entre si e com os Freitas Silveira, uniram-se, através do matrimônio, com as famílias Cintra, Alves Taveira, Rodrigues da Costa e Garcia, entre outras. *João Bekman Alves Especialista em História do Brasil UFES joaobekman@hotmail.com Com a colaboração da pesquisadora Sônia Regina Belato de Freitas Lelis be_lis30@yahoo.com.br) |
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| | Publicado por: Elio Barbosa Garcia
el 26 de Abr de 2012 a las 17:21 | Autor: João Bekman Alves* I-Origens Era costume dos imigrantes portugueses, já estabelecidos no Brasil, promoverem a vinda dos parentes que permaneceram na metrópole, principalmente durante o Ciclo do Ouro nas Minas Gerais. Os Alves Ferreira são originários do termo de Guimarães, considerada o berço da nação portuguesa. Manuel Moreira de Meirelles cavaleiro da ordem de Cristo, migrou para o Brasil no início da mineração, foi vereador mais velho da Câmara de Vila Rica na legislatura de 1732, era casado com Josepha Rodrigues d’Assumpção e faleceu na Fazenda Cachoeira de Santana, freguesia de Santo Antônio da Itaverava. Violante Moreira d’Assumpção, uma de suas filhas casou com o Furriel Manuel Gomes Ferreira natural da freguesia de São Pedro de Alvite e tiveram nove filhos, entre eles Josepha Gomes Moreira que se casou na matriz de Itaverava com um parente, Antônio Alves Guimarães, vimaranense da freguesia de São Martinho de Candoso, que passou para o Brasil em companhia de seu irmão Domingos Alves Guimarães na segunda metade do século XVIII. Nos inventários testamentários de Manuel Gomes Ferreira e de Violante Moreira d’Assumpção conservados no Arquivo do Museu Regional de São João Del Rei encontramos na relação de bens, uma fazenda com casa assobradada, grande quantidade de escravos, animais de carga e ouro, inclusive uma imagem de N.S. da Conceição em ouro com brincos de azeviche. Essa mesma imagem consta dos bens arrolados no inventário de Antônio Alves Guimarães e Josepha Gomes Moreira conservados no Arquivo Municipal Capitão Hipólito Antônio Pinheiro de Franca.
Nas vésperas da Inconfidência Mineira, o Ciclo do Ouro entrava em decadência, e os irmãos Alves Guimarães com família e escravos, fugindo da derrama, deixavam as regiões auríferas em direção ao oeste procurando terras férteis; chegaram ao Arraial de Nossa Senhora do Livramento do Piumhy. Domingos se estabeleceu aí com a família, onde deixou vasta descendência. Antônio e Josepha viveram ali por alguns anos onde tiveram mais filhos e os primeiros netos.
II- O Sertão do Rio Pardo Ao longo da estrada dos Goiases, aberta pelos bandeirantes, estabeleceram-se os primeiros pousos no sertão do Rio Pardo. No início do século XIX, os entrantes mineiros, liderados pelo Capitão-mor Hipólito Antônio Pinheiro, ocupam as matas, os rios e as serras do sertão, até então do índio caiapó. Antônio Álvares Guimarães recebeu uma sesmaria de três léguas de terras “na paragem Macahúbas confrontando com o espigão que principia a freguesia”; seu filho Antônio em sociedade com José Lourenço de Paiva, tio do Padre Joaquim Martins Rodrigues, receberam também três léguas de terras na Fazenda da Prata anexas à sesmaria de Helena Maria Martins, Joaquim Ribeiro Guimarães e Ana Esméria Ribeira “acompanhando o Ribeirão Batataes rumo para o Rio Pardo”. No dia 03 de dezembro de 1805 o Padre Joaquim Martins Rodrigues, cumprindo a Provisão de 29 de agosto do mesmo ano do Bispo de São Paulo Dom Matheus de Abreu Pereira, que criou a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca, benzeu o local do cemitério, e no “lugar vizinho mandou erigir uma casa de orações com a possível decência para a celebração do Santo Sacrifício da Missa”, estando presentes ao ato os doadores do patrimônio Vicente Ferreira Antunes e Antônio Antunes de Almeida;ocasião em que foi batizado pelo padre Claudio José da Cunha o filho de Antônio e Josepha: Joaquim.
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| | Publicado por: Carlos Henrique Magalhaes
el 28 de Mar de 2012 a las 15:46 | “Sesmaria dos Campos - depois Maria da Fé - MARIA DE FÉ X ROQUE DE SOUZA MAGALHÃES ( INTERESSANTE) Alguns dados (Luiz Barcellos de Toledo) “(...) Ao Sudoeste e a 13 quilômetros da Cidade de Cristina, no quilômetro 51 da linha férrea Sapucaí, e a 1304m acima do nível do mar no lugar denominado Garganta do Chico Campos está a Serra divisória das águas do Rio Verde com as do Sapucaí, a qual, antigamente, também dividia a Sesmaria do Sitio do Monte da Sesmaria dos Campos. Esta Sesmaria que era muito vasta se dividia pela nascente com a Sesmaria da Mata, de Salvador de Freitas Cordeiro e Joaquim Ferreira dos Santos que depois venderam a Isidoro de Siqueira Pinto; ao Sul com a, do” Ano Bom” pertencente ao Coronel José Francisco Pereira de Magalhães; ao poente, com a do Pedrão e a da Pedra Preta, a primeira de José Vicente de Oliveira e a segunda julgo que de Antonio Pinto de Castilho; ao Norte com a Sesmaria do Desproposito, de Antonio Rodrigues Vilas Boas, e a do Sitio do Monte de Paulo Gomes Corrêa, Agostinho Teixeira e Vicente Antunes. A primeira fazenda dos Campos e talvez a primeira do Sertão da Pedra Branca foram edificadas pelo proprietário da Sesmaria o bom e honrado homem, José Rodrigues Braga casado com Dona Maria da Fé, do lado inferior do lugar onde existiu o antigo cemitério da próspera Vila da Maria da Fé, no lugar onde está à casa de (na ata original o espaço encontra-se em branco). Maria da Fé sita de Cristina 19 km. As Terras que compõem esta Sesmaria são ótimas prestando-se a qualquer espécie de cultura, as que se acham nas proximidades do Rio Lourenço Velho, nos lugares denominados São João, Ilha e Pintos; as que estão superiores a Vila de Maria da Fé, são regulares, pois se possuem alguns terrenos bons, também existem muitos áridos, composto de extensos campos* cobertos de um arbusto denominado candeia, muito procurado para lenha e outros misteres, mas as terras são impróprias para a lavoura. Os Campos nativos que são extensos*, são perigosos para os animais devido a grande quantidade de um vegetal denominado vulgarmente erva vegetal muito venenosa e sempre mortal ao animal que a come, mesmo em diminuta quantidade. Falecendo no principio do século passado, ainda bem moço, o honrado José Rodrigues Braga, sua mulher Dona Maria da Fé assumiu o domínio da família e a gerencia da casa, esta mulher que era dotada de muita inteligência e de uma força de vontade incomparável, tornou-se, em pouco tempo uma das principais influencias deste Sertão, e tal preponderância conquistou sobre os Prefeitura Municipal de Maria da Fé | Adm. 2009-2012 Praça Getúlio Vargas, 32 - Centro - Fone: (35) 3662- 1463 Prefeitura Municipal de Maria da Fé capitães mores, seus vizinhos, que seus pedidos eram ordens a este depostas e opressores absolutos. Essa mulher viril e de grande energia de caráter, possuía, no entanto um coração extremamente bondoso por isso era, naqueles tempos de tristes recordações o amparo dos humildes, oprimidos e desgraçados. Conta-se com inteira verdade que só ela podia pôr um limite às perseguições atrozes e iníquas do Capitão Mor, Roque de Souza Magalhães casado com dona Victoria Alexandrina de Jezus. Conhecido por Roque Bravo um dos maiores déspotas desse tempo Senhor de Pedra Branca em Santa Catarina com poderes ilimitados sobre a vida, a honra e bens de todos os habitantes deste Sertão. Entretanto, um só bilhetinho da Sinhá da Fé, como era conhecida desarmava o braço desse homem feroz, e fazia cair às algemas que prendiam o recruta, filho chorado de uma pobre mãe; abria as portas dos subterrâneos misteriosos desse tirano, terras destas paragens para soltar o pai honrado e infeliz que ali fora encarcerado pelo motivo mais fútil para ser barbaramente castigado. A sua fazenda, situada pouco abaixo da Capelinha da Pedra, em Santa Catarina, era um verdadeiro castelo medieval, de enormes escadarias pátios fechados à pedra onde muitas pessoas entravam para não mais sair com vida. Diziam os velhos desse tempo que ali existia um horrendo calabouço em cujo seio tenebroso havia um tronco em que se podia prender muitas pessoas de pés e mãos de uma só vez, e aonde se encontrava também toda a sorte de instrumentos de torturas. Um casal que estivesse entre si qualquer desavença era conduzido por sua ordem ao calabouço e só depois que marido e mulher passassem 24h presos bem juntinhos no tronco soltavam-nos recebendo cada um primeiramente uma dúzia de bolos de palmatória e ameaça de castigo dobrado nas reincidências. Conta-se historia ou lenda não sabe, que esse homem fora amaldiçoado por sua madrinha que lhe pediram de mãos postas, mas inutilmente, a liberdade de um recruta que fora preso por sua ordem; este rapaz era o único arremo de um pobre viúva que contava grande número de filhos menores e desprotegidos. O castigo invocado pela madrinha foi horrível; a mão desse déspota cruel foi crescendo, crescendo e de tal modo se deformando e que chegou a atingir mais de dois palmos do punho a ponta dos dedos precisando trazê-la descansada numa grande faixa que se ia prender ao pescoço e quando viajava conta-se que de muito longe se via aquela mão que tanto mal fez, enorme e hedionda em sua fealdade. Este homem faleceu em 1837. Desse castelo de tão triste recordações nada mais existe hoje, apenas se vê restos de calçadas completamente arruinadas e numa triste desolação. Maria da Fé muitas vezes salvou vitimas inocentes das garras desse e de outros potentados. Nessas primitivas épocas, era muito considerada em todo o sertão da Pedra Branca e deixou um nome que jamais será esquecido. | |
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| | Publicado por: Elio Barbosa Garcia
el 22 de Mar de 2012 a las 13:25 | Autor: Rudi Matheus Resende Guimarães O Ranha – alcunha dada ao local pelos moradores do distrito – foi fundado em meados de 1924, quando Juscelino Ferreira Guimarães (tabelião de Pouso Alto do estado de Minas Gerais) requereu, junto ao então Estado de Mato Grosso, a posse das terras da região do rio Cangalha, situadas ao norte de Água Clara, com a finalidade de torná-las num patrimônio, num tempo em que o Estado doava terras para este fim. De posse das terras, o tabelião atribuiu o nome de Pouso Alto ao local por admiração à sua terra natal mineira e, coincidentemente, haver nos hectares que o Estado lhe concedera, um córrego chamado Pouso Alto. Hoje, este córrego forma uma bica d’água na fazenda que lhe pe...
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| | Publicado por: Elio Barbosa Garcia
el 23 de Dic de 2011 a las 08:25 | Autor: Luiz Carlos Tocalino Neto in Ribeiro do Vale – Coletâneas genealógicas
Primeira Parte
No título Garcia Leal destaca-se o nome de Januário Garcia Leal pelo numero de homônimos descritos – uns mineiros e outros paulistas – e, por um desses ter sido “Januário Garcia, o sete-orelhas”. Dos homônimos, o mais definido foi um sobrinho de Rosa Maria de Jesus casada com Antônio do Vale Ribeiro. E, ao que parece, esse foi o “Januário Garcia, o sete-orelhas”. Sobre “Januário Garcia, o tira orelhas”, muito se publicou... Suas façanhas, reais ou lendárias, foram de domínio público e passaram ao folclore de Minas e de São Paulo. E, como acontece nesses casos, perde-se o limite entre pessoa e personagem e passa-se esbatido do real à ficção. Em documentos oficiais cita-se Januário Garcia Leal, referindo-se às façanhas atribuídas a Januário Garcia, o sete orelhas. Em “Efemérides Mineiras” (1664 – 1847) , coligidas e ordenadas por José Pedro Xavier da Veiga (Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais), no volume I, pág. 89, se lê: — “26/01/1803 ...na presente data, ordena o ministério ultramarino ao governador da Capitania que providencie a fim de efetuar-se a prisão do facinoroso Januário Garcia Leal, em atenção ao que foi representado pela Câmara de Tamanduá...” Em “Apontamentos Históricos e Geográficos da Província de São Paulo” de Azevedo Marques, no vol. II acha-se também referência a outra ordem régia, datada de 26/09/1803, mandando o Capitão-general de São Paulo informar sôbre a representação de Manoel Martins Pereira, da Vila de São José do Rio das Mortes (atual Tiradentes), na qual se queixa de violências e ameaças que lhe estavam fazendo Januário Garcia Leal e seus tios, Matheus Garcia e Salvador Garcia, que se jactavam publicamente de haver cometido mais de quinze mortes e queimado várias casas na paragem de Santo Antônio do Amparo, termo da dita vila do Rio das Mortes. A ordem régia manda que o governador de São Paulo, de comum acordo com o de Minas Gerais, os faça prender e punir. No histórico do município de São Bento Abade, Armelin Guimarães escreveu: “um dos vultos mais curiosos ligados aos anais sul mineiros, mencionados em registros públicos e envolto em lendas ampliadas pela imaginação popular, foi Januário Garcia Leal, o sete-orelhas.Para vingar o assassinato de seu irmão João Garcia, ocorrido em 1792, perseguiu por longo tempo e executou os sete irmãos assassinos”. Em um dos primeiros escritos, um autor sob o pseudônimo de Brasiliophilo, escreveu: — “Ainda hoje são bem vivas na memória do povo sul-brasileiro as façanhas lendárias do famanaz Januário Garcia, herói do crime, que viveu entre os últimos anos do século passado (XVIII) e os primeiros deste atual (XIX). Espalhou-se por todos os recantos o seu nome ruidosa e lugubremente famoso, ligado a atos tristemente célebres. Foi um dos últimos espécimens da antiga raça paulista. Encarnação poderosa e perfeita da tenacidade mais extremada, inabalável até que se consumasse a empresa iniciada”. E relata, que sete homens atacaram o seu irmão caçula, espancando-o brutalmente e arrancando-lhe a pele. Januário jurou vingar-se e por dez ou doze longos anos esteve em andanças no encalço dos assassinos. Estes, após as primeiras vinganças, ou ocultavam-se em paragens distantes e ermas, ou buscavam o abrigo das autoridades em locais de mais progresso, e outros acoitaram-se em casas de parentes e amigos, como ocorreu em Santo Antônio do Amparo. Ao conhecer esses paradeiros, Januário, só ou com seus parentes Matheus e Salvador Garcia, invadiam povoados e ocorriam as mortes dos assassinos, dos acoitadores e, as vezes, queimas de suas casas. E, à morte de cada um dos sete assassinos, seguia-se o ritual de decepar uma das orelhas, que era guardada como documento de vingança. Manuel Martins Pereira, um cúmplice, antevendo a sua hora, fez representação a Portugal. Entretanto teve o mesmo fim que os demais. Aluísio de Almeida escreveu extenso artigo publicado em “O Estado de São Paulo”, edição de 12 de outubro de 1944, onde temos dados históricos e histórias dadas como façanhas da vida de Januário Garcia Leal. Incorretamente, descreveu Januário Garcia Leal como filho de Aleixo Garcia Pinheiro e de Joana Nunes Cardoso. Citou o Sargento-mor José Garcia Leal, em 1808 com 57 anos de idade, casado com Ana Teodora e seus oito filhos. Eram residentes em Mogi Mirim, mas andou povoando o sertão de três capitanias (Minas Gerais, São Paulo e Goiás), e tinha filhos mineiros. Relatou que Joaquim Francisco Lopes – grande sertanista e irmão do famoso guia Lopes, em 1835 e 1836 viajou por conta de Pimenta Bueno governador da província de Mato Grosso e por conta dos irmãos José e Januário Garcia Leal. Segundo Roberto Vasconcelos Martins, esses dois irmãos eram filhos de João Garcia Leal, o assassinado. Portanto, eram sobrinhos de Januário Garcia Leal, o sete-orelhas. Foram eles que, atravessando o rio Paranaíba, afazendaram-se no termo de Santana e fizeram explorações até o sul de Mato Grosso. Relata-se uma viagem de Januário Garcia com um certo Cunha Caldeira, de Piracicaba, pelos rios até essa fazenda. É certo que esses são os primeiros personagens da nossa história. Januário, o tira orelhas, também foi matéria de artigo publicado em agosto de 1949, na Revista “O Cruzeiro”, assinado por Gustavo Barroso, do Museu Histórico. O coronel José Teixeira de Meireles em “A vida de Januário Garcia, o Sete Orelhas”, 1927, e Benedito de Souza em “estórias... ou histórias do Sete Orelhas?!..., 1973, identificaram-no erroneamente, como Januário Garcia Duarte, filho de Antônio Garcia Duarte. Olímpio Meireles dos Santos, em “Família Souza Meirelles, Esboço Genealógico”, 1937, e depois, os revisores, em “Família Souza Meirelles, Estudo Genealógico”, 1992, seguindo o coronel José Teixeira Meirelles, persistiram no engano escrevendo:
“Antônio Garcia Duarte, casado com uma brasileira, que morreu ainda jovem, deixou a Antônio Garcia Duarte três filhos: — Januário Garcia Duarte (o sete-orelhas) — José Garcia Duarte — João Garcia Duarte E relataram: Antônio Garcia Duarte era homem de bem, respeitado e senhor de grande extensão de terras, onde se instalou e formou a Fazenda Campo Formoso. Fazendo divisa com suas terras havia a propriedade de um português chamado Francisco Silva, que lá vivia com seus sete filhos: Luíz, Carlos, Antônio, Joaquim, Francisco, Bento e Paulino. Homem genioso e de má índole, criou por diversas vezes questões de divisas com Antônio Garcia Duarte, resolvidas por consenso de louvados e por sentenças judiciais contra suas pretensões. Inconformado, Francisco Silva mandou que seus escravos alterassem os limites, avançando os marcos pelas terras da Fazenda Campo Formoso. Avisado, Antônio Garcia mandou que seu filho João Garcia Duarte, o Joãozinho, fosse verificar. Segundo outros, Antônio Garcia Duarte por esta ocasião já era falecido, tendo ficado Januário Garcia Duarte, o mais velho, como responsável pela família. Impedido no seu intento, Francisco Silva determinou que os filhos matassem João Garcia Duarte e lhe tirassem a pele. Este trucidamento teria ocorrido na Fazenda Campo Formoso, ao pé de uma figueira que, “pela terceira vez rebrota, teimando em não perecer”. Januário saiu à procura do irmão, encontrando-o sob aquela figueira. Jurou vingar-se e por doze anos perseguiu os criminosos e a cada morte decepava uma das orelhas. Passou então a ser referido como o “corta orelha, o tira orelhas, ou ainda como o sete-orelhas”. Roberto Wagner Rezende, da prefeitura de São Bento Abade, MG, informa que a fazenda Campo Formoso, até recentemente propriedade de Flávio Fachardo Junqueira, atualmente pertence ao grupo industrial Gerdau, mas ainda é referida como “fazenda do tira-couro”. Flávio Fachardo Junqueira foi o primeiro prefeito eleito do município de São Bento Abade (1963 – 1967). Seus familiares, em relato pessoal, esclarecem que o local onde existe esta figueira ainda é de sua propriedade e chama-se “sítio tira-couro” e, que esta área é independente da Fazenda Campo Formoso. Nessa versão, Januário Garcia teria permanecido solteiro. Entretanto, no Arquivo Metropolitano da Mitra Arquidiocesana de São Paulo, no Livro de Autos de Ereções e Patrimônios de Capelas, ou Ermida de São Sebastião da Ventania, às páginas 129 e 141 lemos e obtivemos, como transcrições certificadas, o que reproduzimos.
Página 129: —“Dizemos nos abaixo asignados eu o Alf.er Joze Justiniano dos Reis, D. Ana Theodora de Figueiredo q’entre os mais bens q’pesuimo assim tambem hû sitio denominado ventania donde fizemo hûa Hermida de Sam Sebastiam, assim titulada e pa dote desta lhe demo terras pa ...avaliou-se em sento e dés mil reis cuja terras houve por compra que fis a D. Mariana de Oliveira, de cujas terras fazemos a doação para a dta Hermida...”
Página 141 e verso: “Digo Eu abaixo asignada Mariana Lourenço de Oliveira, que he verdade q. meu marido o Capitam Januário Garcia Leal, ta mais de tres annos se auzentou desta Capitania e por não haver notiçia alguma dele e por na verdade sermos senhores e posuidores entre os mais bens q, pesuimos bem assim o somos de hum sitio denominado ventania e ponte alta cujo sitio he comoposto de terras de cultura capueira e matas virgens e campos as quais terras parte (limitam) pelo parte norte com Antônio Joze dolivra (de Oliveira) e seu irmão Joaqm Da Silvra Duarte principiando no Ribeirão dos Cancons (?) pelo Caminho velho asima athe o alto do morro dos penteados e do ditto morro desendo a hum grotam fundo por elle abaixo athe a barra da capetinga e pelo dito corrigo da capetinga abaixo athe a conquista partindo (limitando) com a Fazenda do Prata e pelo Rebeirão dos Cancons fazendo deviza com o Capam Thome Soares Coelho e pelo Rebeirão abaixo partindo com terra do Alfe Joze Justiniano dos Reis cujo sitio o mandei avaliar pelos louvados abaixo asignados e juntamente ...tereiros muros rego de agoa ...de capim q’ tudo louvarão (avaliaram) em preço de duzentos e noventa e dois mil Reis e tao bem sem mil Reis e vinte Reis e porq’ o do meu marido ficou devendo e devemos a Alfe Joze Justiniano dos Reis a qta de sento e oitenta e dois mil trezentos e trinta e sinco Reis e tao bem sem mil Reis ao Captam Joze Alz de Figueiredo e por ele meu marido deixar determinado pagaçe estes credores com toda a prontidão a custa de nosa Fazendas por ser dinheiro de Primo... e poq’ nâo houve nenhuma conveniençia pa se pagar estas dividas Faço doação do dito sitio ao Alfers Joze Justiniano dos Reis em su pagamento e ficando este dto ao sem mil reis asima declarado ao dito Captam Joze Alz de Figueiredo e o resto q’são nove mil reis e seisentos e seçenta e sinco recebi ao fazer desta e deste já lhe dou toda a poçe e dominio a Jus e açao q’ tenho no dito sitio pa q’ o do comprador possa pesuir desfrutar asinar como sua propria q’ ficão de hoje para todo o sempre e me obrigo a fazer esta duação boa a todo o tempo e qdo precizo for nomeação q’ meto... cuja me ... acao faço de minha livre vontade e sem constrangimento de pessoa alguma e pa q’eu nem meus erdeiros e sucesores em tempo algum não posão reclamar e pesso as Justiças de sua real Magistade dem a este papel todo o vigor tanto em Juizo como fora dele como se foçe hua escritura publica a cual se não pasa por não haver tabeliam e me obrigo todo o tempo q’se me me pedir posao e por verdade de todo o referido pedi e roguei ao Capam Thome Soares Coelho q’este por mim fizese e se asinase presente as testemunhas e Louvados. Hoje Fazenda da ventania 25 de nobro de 1806. Asino a rogo da doadora Mariana Lourença de olivra a) Thome Soares Coelho como Ttas e Lovado a)Eduardo Alves de Barros asino a rogo da ta e Lovado Manoel Jorges Demedrio a) Joze Garcia Leal como tta e Lovado a) Antonio Joze da Silva sou testemunha a) João Ignacio Cabral sou testemunha a) Joaquim Frra
Rec nove mil e seis sentos e sesents e sica reis q’sobra do conteudo deste papel do q’estou paga e satisfeita de tudo e por clareza paço este q’ pedi ao Alfzs Domos dos Reis q’pa mim fizece e asinace em me asinei com o ...de que uso q’ he hua cruz. Hoje Laje 17 de Mayo de 1809
Mariana + Loça de olivra como testa q’este fez a rogo ...dita a) Domos dos Reis As como testa q’este vi fazer e asinar a) Simplicio Honorio
NADA MAIS continha o sobredito assento ao qual fielmente me reporto e dou fé. São Paulo, 03 de março de 1997. a) Jair Mongelli Junior chefe do Arquivo Metropolitano
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el 23 de Dic de 2011 a las 08:16 | Autor: Luiz Carlo Tocalino Neto in Ribeiro do Vale – Coletâneas genealógicas Segunda Parte (Continuação) A leitura desse processo revela que, Januário Garcia Leal: Era casado com Mariana Lourenço de Oliveira. Encontrava-se ausente desde 1803 (data das cartas régias). Apesar de ausente, preocupava-se em honrar suas dívidas, ainda que às custas de suas propriedades. “Sôbre “Januário Garcia Leal, o sete orelhas”, pode-se afirmar: 1.Trata-se de um Januário Garcia Leal, pois é este o nome que consta nas representações oficiais e em cartas régias. 2.Existiram alguns homônimos Januário Garcia Leal. 3.Um desses era filho de Pedro Garcia Leal e de Josefa Cordeiro Borba. Era neto paterno de João Garcia Pinheiro e de Maria Leal. Era neto materno de Inácio Diniz Caldeira e de Josefa Cordeiro Borba (seria Escolástica Cordeiro Borba). 4. Esse tem sido apontado como “Januário Garcia, o sete orelhas”. 5. Esse Januário Garcia Leal era primo, e não sobrinho de Mateus Garcia. Ocorre que à época era usual a designação “tio-primo” em determinadas relações de parentesco com certa diferença de idade. 6.Houve um Januário Garcia Duarte, filho de Antônio Garcia Duarte. Esse Antônio Garcia Duarte descendia do capitão José Garcia Duarte c.c Ana Maria Duarte, segundo Ricardo Gumbleton Daunt. Portanto não é correto que José Garcia Duarte, irmão de Januário, seja o mesmo José Garcia Duarte c.c Ana Maria Duarte, a Ana do Angaí, como se escreveu em “Família Souza Meirelles – Estudos Genealógicos”. 7.As prováveis idades nos anos de 1792 e 1803, excluem a possibilidade de alguns dos homônimos descritos serem identificados como “Januário, o sete orelhas. . “Entretanto, em 2006, Tânia Arruda Kotchergenko, por primeiro, encontrou em Lages, SC, o inventário do Capitão Januário Garcia Leal, com data, local e descrição de sua morte. Atualmente, este inventário encontra-se em Florianópolis, SC, integrando o acervo do Museu do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (caixa 55 Inventário do Capitão Januário Garcia Leal, falecido em Lages, SC, a 16-MAI-1808). A leitura deste inventário evidencia que, terminada sua saga justiceira e vingativa, o capitão Januário Garcia Leal dirigiu-se ao sul do país, Santa Catarina, onde, trabalhando adquiriu bens, estabalecendo-se e restabelecendo seu nome de homem digno, honesto, conceituado e laborioso. Revela ainda, que sua morte ocorreu a 16-MAI-1808, em Lages, em uma propriedade de Matheus José de Souza, em um acidente, quando, junto com seu escravo Antônio, tentava impedir a fuga de um cavalo bravo. O cavalo, arremetendo-se sobre uma porteira, provocou sua quebra, quando uma das peças de madeira, uma vara, atingiu Januário Garcia Leal na cabeça, à direita, com dilacerações e fraturas, desde sua orelha direita até o mento, causando sua morte, conforme consta nos termos do corpo de delito de seu inventário. Deste inventário, destacam-se os termos das folhas.
Fl.1 Inventario dos bens do falecido Capitam Januário Garcia Leal, que manda proceder o Juis de Orfaons, o Capitam Joaquim José Pereira 22/05/1808, Villa de Nossa senhora dos Prazeres das Lajes Comarca de Paranagoa onde se achava presente o Juis de orfans o Capitam Joaquim José Pereira, Comigo Escrivão de seu cargo adiante nomeado e vindo ahi para efeito de se fazer um enventario nos bens do fallecido digo nos bens que ficaram por fallecimento do capitam Januário Garcia Leal, cujo enventario se procedeo. Em virtude do mandato que segue adiante e em virtude do mesmo Autoey e tomei cujo hé o que adiante se segue de que de tudo para constar fis este termo de Autoação, eu Francisco José de Santana Souza, Escrivão de orphans juramentado que a escrevi (assinado: Souza). Fl. 1v 22/05/1808, Villa de Lajes. Termo de juntada, no Cartório “me foi entregue o Auto de Corpo de delito feito por fallecimento do capitam Januário Garcia Leal (...) Escrivão Francisco José de Santana Souza Fl. 2 18/05/1808 “O Capitam Joaquim José Pereira Juiz Ordinário e de orfaons nesta Villa de Nossa Senhora dos Prazeres de Lages, com alçada no cível e crime por Eleição na forma da lei. Mando ao escrivão que perante mim serve que visto este meo mandado indo por mim assignado e seo comprimento e forma de elle vá, como alcaide deste juízo ao lugar chamado lava tudo, onde consta morrera violentamente o Capitam Januário Garcia Leal que vinha vindo da Villa de Laguna com hua carregação para deixar nesta Villa e ali fará auto de Corpo de delito pa servir no conhecimento a cauza da morte exzaminando as feridas e machucaduras que tiver e logo passara a fazer hum Enventário de todos os seos bens mandando para isso ovir as pessoas que acompanhavão para se por tudo em seguro deposito thé que seos herdeiros venhão procurar seos bens, visto ser homem de diferente districto e Capitania dado e passado nesta sobredita Villa aos dezoito dias do mês de maior de 1808 Eu Francisco José de Santana e Souza escrivão juramentado que Escrevi. Fl 2 e 2-v Auto de Corpo de Delito 19/05/1808 Villa de Nossa senhora dos Prazeres de Lages, comarca de Paranagoa “em cazas de morada de Matheos José de Souza onde eu Escrivão adiante nomeado fui vindo com o juiz ordinário o Capitam Joaquim José Pereira e vindo alli para efeito de se fazer este Auto “por se ter vindo dar parte ao dicto Juis ordinário de que no dicto lugar lava tudo morrera o dito capitam de um dezastre porque indo a sercar hum cavallo que se axaiva a pular hua porteira de varas ao tempo que o cavallo, avançou a dita porteira encontrou com o dicto Capítam hua das varas da porteira e dando lhe pela orelha direita imediatamente o matou com a pancada e passando o dito juiz mandado para vir o alcaide comigo Escrivão a aquelle lugar fazer auto de corpo de delito encontramos o corpo do dito capitam que se vinha conduzindo para esta villa pouca légua fora da dita Villa e por isso ali vamos chegando nesta dita casa de Matheus José de Souza onde se recolheu o corpo. Se fes então em presença do dito juiz o Exame e vemdo com efeito se achou somente hua ferida na orelha direita que partia ao meio a orelha e o queixo todo quebrado. Sem mais outro sinal algum e sendo perguntado pelo juis a Francisco Eloi de Souza que se Havia em sua prezença susedido o caso disse elle como testemunha por lhe ser primeiramente deferido o juramento dos Santos Fl 3 Santos Evangelhos para dizer a verdade do que soubesse e lhe foi perguntado dice que indo elle testemunha laçar hum cavallo no dia dezessete do presente mês de maio por mandado do fallecido capitam Januário Garcia Leal indo o cavallo a voltar a porteira correo o dito Capitão a cercar no mesmo tempo que o cavallo avançou a porteira levou a vara adiante e encontrando com o dito Capitão. Deo lhe pela orelha e logo ali cahio morto e mais não disse e sendo perguntado ao Escravo do dito fallecido por este cazo disse o mesmo que disse a testemunha supra e o mesmo disse Antonio Rodrigues debaixo do mesmo Juramento dos Santos Evangelhos que se achou presente quando aconteceu este cazo e de como assim o dicerão mandou o juis fazer este auto em que assignou e com elle as testemunhas com sua cruz de que uzão. Eu Manoel, digo Eu Francisco José de Santana Souza Escrivão juramentado que Escrevi (Assinatura) matheus Joze Sza Signal de Cruz + de Franc° Eloi de Sza (capataz do falecido) Signal de Cruz x de Antonio Roiz (Rodrigues) Signal de Cruz x de Antonio, escravo do fallecido Capitam Januário Fls 37 a 38 Traslado de Procuração Bastante pela qual, “Mariana Lourença de Oliveira, moradora no Arraial de Jacuhy, Termo da Villa da campanha da Princeza Capitania da Cidade de Mariana e de prezente instante nesta dita Villa de Sam Carlos” Comarca da Cidade de São Paulo, no Cartório do Tabelião, aos 13-10-1808, nomeia seus procuradores: a)nesta dita Villa Sam Carlos – seu filho Gino (Higino) Garcia Leal, Manoel Joaquim da Silveira, Joam Pedro Garcia Leal e a Antonio Carlos Cardozo. b)e na Villa de Lajes, Francisco da Silva Guimarães e Capitaão Joaquim José Pereira para resolverem todos os seus direitos, defesas de crimes etc, na Villa de Lages e seu termo por falecimento de seu marido Januário Garcia Leal. Fl 40: Consta, em 14/11/1808, em Lages, o sub-estabelecimento de procuração, por parte de Antonio Carlos Cardoso para a pessoa de Higino Garcia Leal, “filho e erdeiro do mesmo falecido que prezentemente chegou a esta Villa” Fl 41 Consta Intrumento Cível de.....Autos de Justificação e Habilitação ...e etc. Villa de São Carlos, cartório, 01/10/1808...” Livro de Óbitos da Igreja Matriz de Lajes (1799 – 1822) fl. 23 (Microfilme 125-3595 CHF da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) “Aos 22 dias do mês de maio de 1808, no ditrito desta freguesia de Lajes, faleceu da vida presente o Capitam Januário Garcia Leal, casado em Minas, com dona Mariana Lorença de Oliveira, cujo teria de idade 50 anos mais ou menos. Morreu repentinamente de hum desastre em uma porteira de hum curral, havendo uma pancada na cabeça na disparada que fez um animal contra a porteira arrebentou uma vara a qual foi com tanta a violência a cabeça que no mesmo lugar matou. Não recebeu sacramento algum, foi por mim encomendado e sepultado nesta Igreja Matriz e para constar fiz este assento. A) vigário Francisco José de França.” | |
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| | Publicado por: Elio Barbosa Garcia
el 23 de Dic de 2011 a las 07:03 | Autor: Elio Barbosa Garcia
Terceira Parte (Conclusões)
Analisando as várias histórias e conhecendo-se hoje toda a cadeia genealógica da família Garcia, fica bem claro quem seja o verdadeiro Januário Garcia Leal, o “Sete Orelhas”. Estão corretas as conclusões de Luíz Carlos Tocalino. Por ocasião do sinistroso crime, cerca de 1792/94, ou 1802 como afirmam uns, o clã dos Garcia já era numeroso, com famílias bem definidas e respeitado pela sua condição social, religiosa e moral. O casal Pedro Garcia Leal e Josefa Cordeiro Borba já eram falecidos, e seus nove filhos eram todos casados e com famílias. O mais velho era o Sgt.-mor José Garcia Leal, n. 1755, já capitão em 1796 e sgt.-mor em 1799; e o mais jovem, o Alferes Salvador Garcia Leal, n. 1768 e já com filho batizado em 1796. A vítima, João Garcia Leal, o terceiro dos nove irmãos, então alferes, contava trinta e cinco anos de idade, já era casado com Maria Joaquina do Espírito Santo e tinham seis filhos, todos bem identificados no presente estudo, sendo que a mais velha, Eufrásia nasceu em 1783, João Pedro em 1784, José em 1785, Januário em 1786, Joaquim em 1790, sendo todos menores na época da tragédia. É interessante notar como se repete os nomes dos filhos de João, homônimos de seus irmãos. Fato que causou grandes confusões aos historiadores. O Januário Garcia Leal, O “Sete Orelhas”, o quarto dos irmãos, contava trinta e três anos, era casado, como ficou provado, com Mariana Lourença de Oliveira e também com filhos, como ficou evidente. Segundo Roberto Vasconcellos Martins, ob. cit., Januário Garcia Leal havia sido nomeado 1º Capitão da Companhia de Ordenanças do Distrito de São José de Nossa Senhora das Dores (hoje cidade de Alfenas, MG) em 21-JAN-1802, cidade não muito longe do local da tragédia, e afirma ainda, que em 20-JUN-1808, portanto cinco anos depois, foi nomeado outro Capitão, em vista da ausência de Januário Garcia. Informações, com se vê, que não conferem com as qualificações que encontramos em algumas das narrativas dando-lhe uma imagem negativa, de homem desordeiro, sem princípios morais e religiosos. Fica claro que Januário não passou a vida dedicada à vingança e ao crime, como afirma no início de sua história, Carlos Alberto Cerqueira Lemos, ver item 28 pag. 26. Antes do incidente ele era um homem probo, valoroso e respeitado na comunidade, bem como seu irmão Alf. Salvador Garcia Leal e o primo, Cap. Matheus Luis Garcia, e todos da família, como bem o confirma em sua obra, Marcos Paulo de Souza Miranda, op. cit., ver nota 5 pag. 7, que encontrou e estudou documentos que não deixam dúvidas quanto às identidades e suas boas qualificações . Aquela tragédia e o seu desenrolar é que os levaram ao mundo do crime. Certo está o dito popular: — “onde a justiça não age, fazem-no os cidadãos de bem, à vezes com funestas conseqüências”. Vejamos o escreve Marcos Paulo de Souza Miranda, em sua obra:
“A família Garcia era numerosíssima, muito influente e respeitada por todos em razão da conduta sempre escorreita de seus membros, pessoas trabalhadoras e religiosas. As atitudes de Mateus, Januário e Salvador – sabiam todos os que tomaram conhecimento do covarde assassinato de João Garcia – só iriam até onde fosse necessário para afirmar que a vida de um Garcia era sagrada para os membros da família – e que não ficariam impunes os miseráveis assassinos que ceifaram a vida de um inocente. E ainda: “Acabada a vingança e malogradas as perseguições da Justiça, que muitas vezes era conivente com ilegalidades, os Garcia foram aos poucos se reintegrando à sociedade e logo se chegou à conclusão de que uma punição àqueles homens de nada adiantaria. Na verdade, haviam eles afirmado – ainda que de modo próprio – a existência de justiça nas Minas Gerais e o melhor era mesmo esquecer tudo aquilo”. E mais: “que os nomes dos justiceiros não se encontram lançados no livro do rol dos culpados da Comarca do Rio das Mortes correspondente ao período de 1805 a 1844, o que denota que os mesmos não foram condenados pelos crimes praticados no exercício de sua jurisdição privada”
O escritor José Teixeira Meireles, apesar de ter pesquisado e escrito a história mais bem detalhada, cheia de pormenores não encontrados em outras, errou, como ficou provado, quando identificou o Januário Garcia Leal, o “Sete Orelhas”, como sendo o Januário Garcia Duarte, filho de Antônio Garcia Duarte, levado talvez pelo parentesco, como vimos acima, com os Garcia Duarte. Erros como esses foram comuns ao longo desses dois séculos. O referido autor, apesar de ter feito criteriosa investigação, não se preocupou em estudar e analisar as conseqüências, o desenrolar da tragédia e sua abrangência. Não menciona nenhum documento daquela época referente ao crime, as ações dos parentes, e as reações dos vitimados, como a intensa troca de cartas e solicitações de providências às autoridades e aos responsáveis de manter a ordem e a paz nas comunidades provincianas. Diferentemente é o estudo de Marcos Paulo de Souza Miranda, que encontrou e cita, farta documentação oficial, onde uma indicando com clareza os elementos da família envolvidos e suas respectivas localizações residenciais e ainda outras de autoridades, inclusive eclesiásticas, dos locais onde ocorriam aquelas ações, abonando, apesar de tudo, as pessoas do Cap. Matheus Luis Garcia e por conseqüência, seus parentes o Alf. Salvador Garcia Leal e o Capitão Januário Garcia Leal. O Cap. Matheus Luis Garcia, que era o filho mais novo de Diogo Garcia e Júlia Maria da Caridade, nessa época era um velho sexagenário, abastado fazendeiro na Freguesia de Lavras, pai de numerosa e respeitada prole, uns dizem que 17 e outros 14 filhos, de princípios morais, éticos e religiosos incontestes. Acreditamos que jamais se envolveria em tais barbaridades, arriscando sua reputação e a própria vida, tendo até que viver se ocultando, para não ser preso, se não por motivos de força maior e justa causa. Da mesma forma o Alf. Salvador Garcia Leal, que embora mais jovem, também era homem honrado, valoroso e conceituado naquelas comunidades, e que chegou a ser preso e depois solto por falta de provas. E mais tarde ainda aparece abonando outras pessoas em documentos pesquisados por Marcos Paulo de Souza Miranda. O referido autor, op. cit., relata que Januário e seu bando andaram agindo como uma justiça paralela durante muitos anos e suas ações eram públicas e jamais foi molestado pelas autoridades. De Matheus Luis Garcia e de Salvador Garcia Leal, foi possível traçar suas trajetórias com um final bem definido. Já com relação a Januário Garcia Leal, o “Sete Orelhas”, tudo que se conseguiu estva no campo das suposições. Alguns afirmavam, como é o caso de Sá de Carvalho, op. cit., que os parentes de Mato Grosso, relataram lhe que o justiceiro teria ido para o Rio Grande do Sul, onde morreu em batalha. Outros, que teria morrido já velho, em sua fazenda em Minas Gerais, num acidente com uma porteira. Como se vê, são histórias diferentes e distantes. Agora sabemos a verdade. Suponhamos que, se a justiça, quando foi procurada, tivesse agido com eficiência e rapidez, prendendo, julgando e condenando aqueles sete facínoras e baderneiros, que traiçoeiramente mataram o pacato cidadão e pai de família, o Alf. João Garcia Leal, sem uma justa causa, com certeza Januário Garcia não teria optado em fazer justiça com as próprias mãos e a sua história naturalmente seria diferente. Nesse caso, vimos, com muita tristeza, como a justiça, ou a sua paralisia e ineficiência, pôde também, contribuir para a marginalização de homens de bem, com altos valores morais, éticos e religiosos, construtores de uma sociedade sadia, e que os acolhia e os abonava. Infelizmente somos testemunhas, e a televisão vem mostrando isso diariamente, como a nossa justiça é ineficiente, desaparelhada material, moral e legalmente, sempre desatualizada, com seus códigos ultrapassados, repletos de leis iníquas, e ainda, o pior de tudo, com juízes corruptos e corrompidos, para atender e proteger o cidadão que sonha em viver honestamente e em paz com a sua família, numa sociedade harmoniosa e equilibrada, com amplas e variadas possibilidades legais e formais de crescimento e desenvolvimento. É incrível, mas é verdadeiro aquele ditado que se popularizou, de que “neste país só vai preso ladrão de galinha”; e como fica valorizado, dessa maneira, aquele que diz: “o crime compensa”. Sem mencionar e analisar, por que não é esse o nosso objetivo no presente estudo, a qualidade da nossa mesquinha e desqualificada classe política. Valha-nos, ó Deus, até quando! No resumo histórico do Município de Alpinópolis, MG, descrevem que “os irmãos Antônio Soares Coelho e João Coelho de Souza teriam vendido os sítios Ventania e Ponte Alta ao forasteiro Januário Garcia Leal, provavelmente, no final do ano de 1799” e que “este deixou o referido sítio com rumo ignorado, provavelmente para as bandas do Tijuco, hoje Diamantina, com dinheiro emprestado pelos parentes José Justiniano dos Reis e Capitão José Alves de Figueiredo, pai de Anna Teodora de Figueiredo, deixando ali sua esposa Mariana Lourença de Oliveira”. Deixou a região, segundo ainda o histórico, “afim de encontrar os últimos matadores de seu irmão”. Esses que são mencionados aqui como parentes, foram os que receberam a escritura do sítio Ventania, de D. Mariana Lourença de Oliveira, como vimos acima, no estudo de Luís Carlos Tocalino, como pagamento da dívida. São detalhes que confirmam a existência e as ações de Januário Garcia Leal.
Outro detalhe abordado por Marcos Paulo de Souza Miranda,foi a solidariedade que envolveu vários membros da família Garcia Leal e parentes próximos. Essa solidariedade permitiu que Januário Garcia perpetrasse sua vingança sem ser incomodado pela justiça e desaparecesse sem que jamais se soubesse o seu paradeiro. Todavia essa mesma solidariedade é questionada, com muita propriedade e razão, pelo sociólogo Paulo Eduardo Cabral, ao prefaciar obra que trata das transações envolvendo escravos na comarca de Sant’Anna do Paranahyba, “Como se de ventre livre nascido fosse...”:
No prefácio da referida obra, o citado sociólogo analisando vários documentos, destaca uma escritura de compra e venda de escravos e escreve textualmente:
“Examinando-se a escritura de compra e venda da escrava Vitória, que Felisbina Angélica de Freitas faz a seu irmão Manoel Garcia Leal, em 05/10/1860 , verificam-se alguns elementos que se contrapõem aos padrões familiares vigentes. Felisbina, abandonada pelo marido que se ausentara para Cuiabá, há mais de dois anos, e sem meios para sustentar-se e aos quatro filhos do casal, vende a escrava para seu irmão. Parte do pagamento foi debitada em gêneros de primeira necessidade que Manoel dera à irmã. De início, constata-se que um senhor de escravos poderia incluir-se na categoria de pequenos proprietários, ocupando uma posição bastante frágil; parece ser este o caso em tela. Há porém, um dado que ressalta neste documento: o propalado senso de unidade familiar, de solidariedade entre irmãos, o valor da fraternidade não é observado em nenhum momento. Manoel subtrai a escrava da irmã em troca de comida que lhe dera, para que alimentasse seus sobrinhos. Seguramente, este exemplo sugere a revisão do conceito romantizado acerca das relações familiares no Brasil rural, bem como permite ilações sobre tratamento dispensado à família escrava.”.
É evidente que são casos e ocasiões diferentes, mas que envolve a mesma problemática, deixando claro uma questão pouco analisada nos relacionamentos familiares, pela sua delicadeza e complexidade e que continua mostrando-se com a mesma hipocrisia de sempre, essa tal solidariedade e fraternidade familiar. Um bom tema para reflexões e discussões no eterno e apaixonante questionamento das relações familiares. | |
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| | Publicado por: Elio Barbosa Garcia
el 2 de Oct de 2011 a las 18:22 | OS “GARCIA LEAL” EM CASA BRANCA. (Breve histórico sobre os primórdios de Casa Branca).
Os primórdios de Casa Branca, cidade paulista, se relacionam com as bandeiras do século XVIII na sua marcha para Goiás. As bandeiras escalavam o morro do Lobo e as serras de Caldas, seguindo o curso do Rio Grande havendo grandes dificuldades aos desbravadores devido à grande extensão da marcha, mas também com lutas e fugas dos índios e feras, e também com inimigos de outras tropas. O carregamento do ouro era sujeito a pesados tributos e a Estrada Real muito perigosa obrigou-os a procurar outro caminho, seguindo os cursos dos rios Pardo e Mogy-Guassu e as pegadas do temido Anhanguera. A nova rota era mais rápida, através da futura estrada de Mogi à Franca, para o Triangulo Mineiro e Goiás, com a vantagem de se encontrar indígenas já familiarizados com os viajantes que muitas vezes serviam como guias. Esses índios usavam a frase “Haça-Bang-cá” (que significa caminho torcido) para designar os rumos da futura cidade. Muitos atribuem o nome da cidade como uma corruptela dessa palavra, outros pelo fato de ter existido uma “casinha branca”, (na verdade, simples pousos) na rota dos tropeiros. PROVAVELMENTE ENTRE 1664 E 1667, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera I (ou o primeiro Anhanguera), acompanhado de seu filho de igual nome (Segundo Anhanguera) percorreu a região de Casa Branca. Em 1772, o Anhanguera II (Segundo Anhanguera), passou novamente por aqui, delineando o chamado Caminho dos Guaiases ou “Caminho do ouro”. A partir daí já se visualizava em mapas o pequeno Arraial ou pouso da Casa Branca, assim como nos recenseamentos de Moji Mirim (por pertencer à essa freguesia). Já em 1766, o local do pouso dos tropeiros e bandeirantes na Ressaca do Lambary (que era uma sesmaria pertencente à Lourenço Martins Leme) já constava no mapa do relatório da expedição do Coronel Anhanguera, que o apresentou ao governador geral da província. O mapa geográfico da Capitania de São Paulo, de 1791 a 1792, registra-se a fazenda da ”Casa Branca”. Segundo historiadores, conhecido do Anhanguera desde Itu - SP, Bento dias Garcia chegou ao vale do rio Piçarrão em 1789 estabelecendo-se às margens do Ribeirão de São João, na Fazenda denominada Cocaes. Foi ele quem trouxe o Padre Francisco de Godoy Coelho, que havia sido o quinto vigário de Itapetininga, e morador em São Paulo. Na relação de moradores em 1765, aparece Bento Dias Garcia com 66 anos. As bandeiras de Bento Dias Garcia (natural de São João Del Rei, soldado de ordenança, no censo de 1775, possuía cinco filhos, um sobrinho e sua mulher Maria de Oliveira). Padre Francisco Godoy Coelho, Lourenço Martins Leme, José Antonio de Almeida, Joaquim Machado e Ignácio Preto de Moraes (o terror dos índios caiapós) aqui aportaram nas pegadas do Anhanguera, o famoso bandeirante, que descobrira outra estrada acessível á rota para Goiás e Cuiabá. José de Nazareth Azevedo (o suposto dono da casinha branca), que pertenceu à Bandeira do Anhanguera e também as famílias Nantes e Moraes, sesmeiros, estabeleceram a ”Fazenda Casa Branca, na grande Ressaca do Lambari”. È certo que em 1805, residiam o padre Godoy, Joaquim de Lara, Bento Dias Garcia, José de Nazareth Azevedo, Joaquim Machado, Coronel José Vaz de Carvalho, Lourenço Martins Leme, e outros, que ergueram uma capela de pau a pique coberta de sapé. Durante quatro anos lutaram para transformar o simples pouso de tropeiros em uma povoação, porém os Lara queriam na Estiva, o padre Godoy e Bento Dias queriam na fazenda Cocais (que havia pertencido à Inácio Dias, pai de Bento Dias Garcia, que vendeu-a ao padre Godoy), sob o orago de Santana de São Matheus. No dia 22 de setembro de 1811, num domingo, na casa de Bento Dias Garcia, em Cocais, foi realizada a primeira missa em Casa Branca. Mas somente em 25-10-1814 é que foi assinado o decreto, no Rio de Janeiro, para a criação da Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Casa Branca. No arquivo do Estado, caixa 15 (documentos importantes do ano de 1765 - população de Mogi Guassú e Mogi Mirim) consta no período de 1814 a 1846, alguns nomes que residiam na Freguesia de Nossa Senhora da Casa Branca: Capitão Anselmo de Oliveira Leite, Alferes Salvador Garcia Leal (que era o maior produtor de milho da região), Bento Dias Garcia, José Almeida Lara, Antonio Xavier Machado, padre Francisco Godoy Coelho que comprou a sesmaria de Bento Dias Garcia, tornando-se um grande fazendeiro) (dados do Livro Registros da história de Casa Branca de Ernane Cambiaghi). Neste livro, José Garcia Leal é apontado como parte dos Dragões das Capitanias das Minas e San Pablo, como também Gabriel Antunes Maciel (que construiu a cidadela militar A Caza Branca), Antonio de Almeida Lara, Bartolomeu Bueno da Silva (o segundo Anhanguera) e outros. O rei de Portugal mostrou interesse em colonizar a região do caminho do ouro. O capitão General da Capitania de São Paulo, Conde Palma - Francisco de Almeida Assis Mascarenhas também se empenhou no processo da colonização e o Cel. José Vaz de Carvalho, alto funcionário na corte, sugeriu como bom local para se implantar a colônia agrícola dos ilhéus, a região do quartel. A Caza Branca, pois ali já existia uma sesmaria. Anselmo de Oliveira Leite era o fiscal dos ilhéus e chefe dos açorianos, e sua mulher Simplícia Rosa dos Santos, moravam em sua sesmaria a 6 léguas de distancia, e por ficar doente, foi designado o Sargento Mor José Garcia Leal, da Fazenda da Graça à beira do rio Jaguary, bem mais perto. A Portaria nomeando-o é datada de 20 de abril de 1816. Para cá vieram casais da ilha dos Açores, mais tarde chamados açorianos ou ilhéus. Bento Dias Garcia era casado com D. Antonia de Oliveira. Existe no museu de Casa Branca, um processo que fala de conciliação de terras, sem capa, possivelmente uma cópia, que entre outros nomes fala-se de Victoriano Garcia Leal e sua mulher Gertrudes Maria de Jesus (que em 1835 residiam na Fazenda Cachoeira), Luciano Dias Garcia e Mariano Dias Garcia (filhos de Bento Dias Garcia) Sargento-mor JOSÉ GARCIA LEAL: Segundo historiadores de Casa Branca, como o Sr. Professor Justino de Castro, José Garcia Leal foi um intrépido sertanista (Natural de Minas vindo para Casa Branca, de Itu. (Em 1814 Casa Branca pertencia a Comarca de Itu - SP), que veio para essa localidade com a bandeira dos irmãos Dias Garcia (Bento Dias Garcia e Antonio Dias Garcia), sendo parente próximo deles, escolhendo o vale do Cocais para seus pousos e tratar de agricultura. Fazendeiro laborioso, aqui se estabeleceu com a Fazenda da Graça ao longo do rio Jaguary (em 1825 ele consta como branco natural de Moji Mirim, casado com Ana Cardoso (ou seria Ana Teodora), pai de quatro filhos e 21 escravos, e possuía um engenho. No censo de 1822 o coloca como natural de Minas Gerais). Pela sua atividade eficaz no desenvolvimento da Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Casa Branca, ao ser instituído Juizado de paz, constou da primeira chapa de juízes do qual figuravam o capitão-mor Joaquim Gonçalves do Santos, João Carlos da Silva Lopes, Capitão Francisco Antonio Gonçalves dos Santos e João Carlos Nogueira eleito para o triênio 1828 a 1832. Nota: No dia 22 de setembro de 2011, foi comemorado na Matriz de Casa Branca, os 200 anos da Primeira Missa na cidade. Nessa ocasião, os padres contaram a história dos amigos Padre Godoy e Bento Dias Garcia. ILDEFONSO GARCIA LEAL: Não se sabe quando Ildefonso Garcia Leal veio morar em Casa Branca. Foi uma pessoa muito importante na formação de Casa Branca, participante ativo de muitos eventos. Vereador no período de 1862 a1871 e Presidente da Câmara em 1872 e 1873. Quando a Freguesia de São Sebastião da Bella Vista (hoje Mococa) foi elevada à Villa em 24-03-1871 a primeira Câmara, eleita em 07-01-1873, foi empossada pelo Presidente da Câmara de Casa Branca, Ildefonso Garcia Leal, secretariado por Francisco das Chagas Alvarenga. Ildefonso era amigo de Antonio José Teixeira de Carvalho, conhecido como Tenente Carvalhinho (tio de meu avô Marcos Teixeira). Os dois naquela época já se preocupavam com as enormes “sorocas” (voçorocas) que havia em Casa Branca. Segundo jornais, Ildefonso solicitava a uniformidade do vestuário de vereadores, de calças pretas, colete branco e chapéu coletivo, sendo restringido o espadim adotado durante o período de guerra (Guerra do Paraguai). Há referencia também sobre ele ser dono ou administrador da sesmaria da Zabelonia (esta sesmaria é alvo de vários historiadores de Mococa, porém existe pouca coisa escrita sobre ela, que abrangia várias fazendas de Cajurú a Mococa). Em Casa Branca, as sessões realizavam-se nas residências dos vereadores até o tempo em que Ildefonso ofereceu seu elegante sobrado para as ditas reuniões do legislativo. Segundo artigos de jornais pesquisados, no local do casarão morava a mãe de Ildefonso, dona Miquelina, senhora muito respeitada, e que era responsável pela “Quinta Michaelense”, (A Quinta Michaelense, era importante chácara, próxima à cidade, junto a estrada da Mogiana, onde se cultivava café da maior qualidade, cereais e frutas diversas, servida de máquina de beneficiar café, movida à vapor. Pertenceu a Eugenio Zarco da Câmara Loureiro e seus irmãos, que lhe deram esse nome em homenagem à ilha de São Miguel, de onde eram naturais. Atualmente neste local existe a Chácara da Roseira). Ildefonso construiu o sobrado na ocasião em que aspirava ser edil (antes de 1862), tornando-se o “Solar Ildefonso”. Foi reformado em 1913 e adquirido pela Câmara municipal para a instalação da escola Normal e depois, com a construção de edifício próprio da mesma, em 1931, a Prefeitura transferiu as suas instalações para este sobrado, onde funcionou durante muitos anos. Era um prédio muito grande, com escadaria em mármore, e as salas de piso hidráulico. As janelas eram imensas e davam para a praça Dr. Carvalho, de onde se podia ver o coreto e a grande vegetação de flores, com rosas e primaveras. (Meu pai trabalhava como fiscal, na parte de baixo do casarão, que dava para o jardim com várias roseiras de cores variadas). O terreno ia até a outra rua, hoje Rua Barão de Casa Branca, e divisava com a casa de Antonio José Correia, o Barão do Rio Pardo. Infelizmente o “Solar Ildefonso”, um dos prédios mais bonitos de nossa cidade, foi se desgastando com o tempo, e como não houve reformas, foi demolido, como muitos outros casarões das praças de Casa Branca. Os historiadores de Casa Branca sempre o lembram com saudades. Hoje na parte de trás, existe o prédio da Câmara Municipal e a Biblioteca, mas no local do casarão existe apenas um terreno. Autora: Maria Consuelo de Mello | |
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el 24 de Sep de 2011 a las 18:04 | O primeiro Garcia que transitou pelo caminho do ouro ou dos Goiases parece ter sido Miguel Garcia Bicudo, natural de Taubaté onde nasceu por volta de 1630. A pé ou a cavalo ou usando os dois meios descobriu ouro em Goiás em 1732. Passados mais de 270 anos ou nove gerações, seu octaneto João Garcia Duarte revi ventou o traçado do velho caminho, percorrendo o trajeto de São Paulo a Goiás com 90% de acerto. Nesse longo período (e mesmo antes) entre a atribulada viagem de Miguel Garcia e a relativamente confortável de seu octaneto, os Garcia não pararam de deambular pela estrada dos Goiases e não ficou só nisso, se estabelecendo ao longo da mesma ou se aventurando por paisagens quase sempre inóspitas, onde desbravaram, formaram fazendas, povoaram cidades. Na então vila de São Paulo, início do caminho do ouro, entre os vários Garcia que aí viveram ninguém melhor para representá-los que Dona Maria Garcia Beting, esposa de Fernão Dias Paes, “O Caçador de Esmeraldas”. Mais adiante, Antônio Bicudo, Garcia pelo lado materno, era dono da fazenda Carapicuíba e minerava na Serra do Jaraguá. Em terras da Vila de Jundiaí, “Boca do Sertão”, em meados do século dezoito estabeleceu-se Francisco Barreto Leme e sua mulher Rosa Maria de Gusmão, filha de Miguel da Cunha Garcia, com seus filhos e parentes, fundou a vila de São Carlos, elevada a ci9dade em 1842 com o nome de Campinas. Na região de Mogi Mirim estabeleceu-se cerca de 1760 o capitão José Garcia Pinheiro e em Mogi Guaçu, Pedro Garcia Leal, que aí se casou com Josefa Cordeiro Borba, descendente dos Caldeira e dos Borba Gato, estirpe de Bandeirantes. Este foi comerciante e transitou por longo tempo no caminho dos Goiases, onde seus filhos foram nascendo em vilas diferentes ao longo daquele caminho. Na década de 1750, Pedro Garcia Leal estabeleceu-se comercialmente na Freguesia de Santa Cruz dos Goiases e na “Picada de Minas”, com grande atividade mercantil, aí nascendo seu filho João Garcia Leal, escorchado vivo e violentamente vingado pelo irmão Januário Garcia Leal. Depois adquiriu fazenda em Minas Gerais cerca de 1770, na região dos Talhados, no atual município de São João do Glória. Por essa época teria participado também das expedições demarcatórias dos limites de Minas e São Paulo, segundo estudos de Marcos Paulo de Souza Miranda. A Fazenda Ventania, na então freguesia de Jacuí, no caminho do ouro, pertenceu ao capitão Januário Garcia Leal, o “Sete Orelhas”, que a vendeu ou a deu em pagamento de dívidas contraídas para financiar sua sina vingativa, em 1806, ao alferes José Justiniano dos Reis e ao capitão José Alves de Figueiredo, lugar onde se formou o arraial de São Sebastião da Ventania, atual cidade de Alpinópolis. Januário Garcia seguiu depois para o sul, e foi trilhar o caminho dos tropeiros até que a fatalidade o fez morto por ação de um potro baldoso. Em Casa Branca, o sargentio-mor José Garcia Leal estava desde 1812 em sua fazenda da Graça onde produzia açúcar e aguardente e seu irmão, o Alferes Salvador Garcia Leal, com sua fazenda Vargem Grande, que originou a cidade do mesmo nome, eram terras da sesmaria que receberam em 23 de janeiro de 1812. Há que se destacar ainda, nesse caminho, a presença do tronco dos Garcia Velho, de quem descende Messia Rodrigues, Isabel Rodrigues e Maria Rodrigues, casadas respectivamente com Domingos Gonçalves da Maia, Antônio Bicudo Carneiro e Salvador Pires, personagens ilustres da Capitania Paulista, e cuja descendência viria se entrelaçar com os Garcia Leal. Atravessando o Rio Pardo e próximo a esse, no atual município de Cajurú, estava radicado desde 1833, na Fazenda Alegria, da qual era proprietário, o capitão Diogo Garcia da Cruz e pouco para frente, já no atual município de Altinópolis, na Fazenda Jaborandí, o seu filho Joaquim Garcia de Figueiredo. Em Franca, provavelmente desde 1829, José Garcia Duarte, futuro Barão da Franca, proprietário da Fazenda Bebedouro, onde iniciou como pioneiro no plantio do café na região. Na mesma latitude e mais a oeste a Fazenda São Joaquim, onde hoje se situa a cidade de São Joaquim da Barra, era desde 1810 propriedade do capitão José Garcia Leal, sobrinho do senhor de engenho de Casa Branca, que mais tarde, em 1820 a vendeu, preparando-se para sua entrada nos sertões de Mato Grosso em 1829, juntamente com seus irmãos João Pedro Garcia Leal, o alferes Januário Garcia Leal e Joaquim Garcia Leal. Em Corumbá de Goiás instalou-se o português Luiz Antônio Bastos, vindo de São Paulo onde em 1758 contraíra núpcias com a paulistana Joana Garcia Velho. O casal deixou grande descendência em Goiás. No final do caminho do ouro, na então Vila Boa, atual cidade de Goiás, vamos encontrar em 1800, Dona Leonor Lemos e Moraes, casada com o alferes Silvestre Rodrigues Jardim, Juiz Ordinário dessa Vila. Embora não ostente no sobrenome, Dona Leonor procedia dos Garcia Velho de São Paulo. Em 1865, o tenente Alfredo d’Escragnolle Taunay, futuro visconde, integrando forças do exercito brasileiro que iriam invadir o Paraguai pelo sul de Mato Grosso, operação que acabou na trágica retirada de Laguna, percorreu a casco de burro o caminho dos Goiases, de São Paulo a Uberaba, deixou a rota do Anhanguera, virando para noroeste, mas os Garcia não saíram de seu caminho, encontrou-os afazendados na região de Sant’Anna do Paranahyba, atual Paranaíba - MS, conhecida por “Sertão dos Garcia” que ele escolheu para cenário do seu romance Inocência, mas voltou para buscar os personagens aqui por perto nas adjacências do caminho dos Goiases. Com tantos parentes à beira do caminho, ninguém melhor que João Garcia Duarte para realizar, planejar e colocar em marcha essa nova bandeira pela trilha do Anhanguera, pois o passado foi para ele genealogicamente dadivoso, em somar ao mineiro Garcia Duarte o paulista Garcia Velho, tronco da maioria dos principais bandeirantes e sertanistas de São Paulo, como por exemplo, o próprio Anhanguera que oficialmente inaugurou e batizou o velho caminho dos Goiases Autor: Paulo Tarso Ribeiro | |
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